terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Deixa cair

A vida as vezes prega peça no nosso destino, quando a gente acha que já tá tudo encaminhado vem o tropeço, a gente sabe que vai cair mais não se rende, cata cavaco até não poder mais e diz "deixa cair, do chão eu não passo mesmo".
Meu destino tava trazado, eu sabia o que ia ser de mim hoje e daqui a 50 anos. Cai, ralei até a ponta do nariz, só que eu não fechei os olhos, fui vendo o mundo mudar de posição, de velocidade e até mesmo de cor, quando levantei ri de mim mesma e não consegui olhar pros lados. Tudo bem, talvez eu tenha rido de desespero e não tenha olhado pro lado por medo, mas foi bem mais fácil olhar só pra mim, naquela carcaça suja, e seguir. Agora eu tô em casa (sozinha) olhando pro meu joelho ferrado e esperando a culpa bater aqui na porta e me dar na cara dizendo que eu não tava no caminho certo, que a pedra que eu tropeçei é a causa da minha insensatez e que conclusivamente me fez cair, tô esperando também a coragem chegar e me levar com ela, me mostrando o resto do mundo que eu vi naqueles segundo porque eu sei que tem mais, eu só estou esperando, a que chegue primeiro me leva. Por enquanto eu vou ficar aqui, esperando sarar a ferida que não dói, tentando tirar as manchas das minhas roupas inrecuperáveis.
Eu espero, se nenhuma das duas vier me ver eu vou buscar alguma delas... ou vou tirar a pedra do caminho ou vou passar de novo, cair outra vez mas agora sem ter o chão como limite.

O destino existe, mas não vem escrito, não te mandam o manual. Você o monta dia-a-dia e vê em cada peça o pedaço de destino e futuro que te corresponde, ai você encaixa outra e vai vendo no que dá, por mais aleatórias que cheguem as peças elas sempre encaixam, as vezes não encontramos o lugar certo e é como se não fosse ser utilizada, mas se a gente joga fora no final acabamos por deixar um buraco.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pouco e suficiente

Sou sua, minha e da terra
egoísmo, doação e disperça
sou eu, você e quem espera
tudo, nada e sem pressa

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pós tudo antes do nada

Minha mente tá vazia, sem coragem pra habitar uma alma, sem ganas de sustentar fortes sentimentos. Ultimamente sou como um peixe perdido de seu cardume a espera de que algum boca grande e faminta.
Viver, numa concepção madura é olhar pra trás e se orgulhar do que deixou, fechar os olhos e sentir que o seu hoje está plantando bons frutos para montar o futuro, peça a peça, imaginando a obra final. A minha vida é o fruto que eu plantei no passado e por medo não colher, deixando assim as peças do presente embaralhadas de tal maneira que não consigo me orgulhar do que eu desejei pro meu futuro.
Os peixes, o habitat da alma, os frutos, as peças, as metáforas. O que isso tudo quer dizer a final? Nada, não dizem nada. Os sonhos, as pedras e a fé são particulares, intímos amigos que quem os possui, não adianta expor. As conclusões alheias serão sempre as mesmas. Eu não sou suficiente, eu fraquejei e cai. Todos dizem: "Eu sabia", como se isso servisse de algo, porém poucos te aguarram pelo braço quando as pernas falhas, te olham nos olhos e não te julgam, esses nos dizem com o coração "estou aqui, pode seguir que eu estarei do seu lado". São esses, pra esses, poucos e grandes amores da minha vida que eu me esforço a cada segundo pra manter o maior e mais sincero sorriso e é por eles que eu vou sempre seguir dizendo "eu amo a vida, tal e como ela é", porque eu posso até não ver nada no meu futuro mas sei que eles vão me acompanhar até lá e isso basta pra que eu não desista nunca de ser quem eu sou, de ser a mais covarde por ter deixado tudo pra trás e ido embora e a mais corajosa por ter deixado tudo pra trás e ido embora.
Eu descobri e sei que mesmo no fundo do poço eu não vou esquecer que "a vida é passageira, mas o amor é inacabável"

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ser hoje.

É rotina trocar quase que diariamente a vitrine da livraria pra expor o novo lançamento... quem é esse autor? sei lá... gostei da capa, vou levar! As páginas já não chamam tanta a atenção depois do quinto capítulo pensei que se tivesse um desenho ou 100 páginas a menos até que terminaria.
Mas não posso dizer o mesmo dá tão aclamada internet, baixei ontem um cd inteiro desfrutarei da melhor música brasileira enquanto meu cantor favorito anda meio falido porque o cd ganhou uma teia de aranha lá na loja da esquina e depois ainda reclamei porque esse tipo de artista nunca vem na minha cidade fazer show, não é o dinheiro pra comprar e cuidar daquela coisa redonda com um furo no meio, se trata de preguiça de descer até ali, comodidade. Ohh minha querida internet, obrigada por existir e me tornar tão fútil e dependente de ti...
Já que meus favoritos não fazem show a 2 meses coloquei o a música de qualidade no volume máximo pro prédio inteiro escutar o melhor e dancei feito criança quando escuta a rainha... tava meio escuro então não senti vergonha do meu corpo desengonçado dançando pela sala, a única luz que entrava era de uma frestinha da janela com aquela cortina meio fechada, fazia um dia de sol e aquela pouca luz mostrou meu reflexo na tv... desliguei a música.
Como fui capaz de esquecer que hoje ia passar esse programa que vai contar toda a vida íntima da Madonna? Merda, perdi os primeiros 3 minutos... aposto que foi ai que eles contaram a clave de sucesso dela, tá.. tudo bem, daqui a pouco vai mostrar ela no cabelereiro e já preparei o caderno pra anotar algumas dicas. Por que esses comerciais tem que durar tanto tempo? Será que eles não entendem que quem não tem certidão de nascimento provavelmente não tem tv em casa? Dãã. Mas até que essa propaganda da Gillette Mach3 tinha um ator gatinho, não cai um desse na minha rede. Voltou Madonna, espera que meu telefone tá tocando.
Era a Lurdinha, me chamou pra ir pro teatro, vai ter obra maestra de um tal diretor brasileiro. Bá, dá igual, não vou mesmo tô a semana toda esperando pra descobrir como a deusa do pop mantém aquela perna rechonchuda mesmo que eu saiba que nunca vou ter uma igual, acho que a coca cola que eu bebo vai toda pra'i acumulando celulite e culote, mas que eu faço se esse vício já se tornou componente fundamental no meu sangue?
Não me julguem vai, juro que tô tentando ser melhor, hoje até peguei um panfleto da ballet que vai rolar, só não sei onde eu guardei. Eu não sei o que é o amor às artes, pra mim as palavras são instrumentos de uma filosofia barata - ai todos esses blog's - a dança e o teatro são soníferos em cadeiras desconfortáveis, não sei como isso tudo veio acabar parando na minha cabeça, então agora que eu já acabei de ler vou voltar pro meu orkut porque seguro que alguém comentou naquela foto que eu postei ontem ou me mandou um recado.

domingo, 13 de setembro de 2009

Uma Viagem no tempo


Você deve estar olhando essa foto de uns bons anos atrás e se perguntando porque logo essa foto, é pra te fazer voltar no tempo, naqueles tempos de moleque arteiro, travesso e como na vida da maioria das crianças, feliz... é pra tirar de dentro do seu coração esse sorriso embutido, vai deixa ele sair e contagiar a outros corações. É bom né?! relembrar e consequentemente reviver esses pedacinhos de história que a gente leva, que a gente conta e as vezes até desacredita, lembrar aquela fase que era um tiquitim de gente que todo mundo vivia apertando essas bochechas grandes que até hoje da vontade de apertar. É voltar aquela época que foto, nem em dia de aniversário, era legal e que por falar em aniversário é o único tempo de podiamos nos esconder debaixo da mesa na hora do com quem será. Ahhh esse seu olhar não me engana esse seu humor exagerado vem de longa data! Mas tá na hora de voltar ao presente e abandonar a caixinha da lembrança, dá medo porque quando a gente vê já tá burro velho cheio de responsabilidades e cabelos pelo corpo o que preocupa no dia de amanhã não é se vai chover e vai poder brincar no quintal! Passou num piscar de olhos neah?! Nem dá pra acreditar que eu já estou aqui nesse infeliz ano de 2009, pois é daqui a pouco sou eu que vou estar tirando as fotos desses mesmos olhos e dessa mesma carinha de safado e meus filhos vão se esconder debaixo da mesa e querer brincar na chuva e eu, quer dizer, nós não vamos ter coragem de dizer não pra essa nova geração de nós mesmos. Te levei por futuro né? É bom sonhar e planejar o que estar por vir, mas estamos no infeliz ano de 2009 que chamamos de presente... eita discrepância do destino. Até parece... presente. Mas como foi que eu cheguei tão depressa aqui? Só sei que esse tão depressa que me trouxe aqui vai me levar tão depressa pro seus braços pra assim vivermos o futuro que já será presente... agora entendi o tal do presente, tá me embrulhando, me fazendo mas doce e mais corajosa pra rasgar o pacote... somos presente ainda fechados pq presentes deixam de ser presentes quando abertos, o embrulho grande agora é um carrinho de controle remoto, o laço vermelho da caixa agora é tira no cabelo da boneca o presente é o que menos dura, só te leva e te traz, mas não dura o que dura mesmo é o que vem depois, aquilo que um dia a gente vai chamar de passado e chorar ou rir de cada instante mas de que importa? já se passaram.


O presente é o que menos dura meu amor, o presente é o que menos dura!

Eu sonhei com você

Os sonhos são metáforas da vida

quinta-feira, 23 de julho de 2009

De amor e paz


"Quem anda atrás de amor e paz não anda bem. Porque na vida quem quer paz amor não tem..."
Depois desse trecho de uma das músicas de Mart'nália creio que não há muito o que dizer, essa é a condição do amor. O tormento, a inquietude. Se não fosse assim o amor seria destemperado, faltaria aquela coisinha que.
A vida por si só já traz suficiente desgosto com as coisas cotidianas e rotineiras.
Se é pra sofrer, então que seja de amor.


Não tenha medo de amar, escolher a paz pode ser monótono demais!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Peleja

No começo
dor
confusão
emocional.
solução
amor
no final

terça-feira, 21 de julho de 2009

Eu e minha solidão



Só faz alguns dias que nesse apartamento só comparto minha loucura com minha solidão, ela já deixou de ser um estado em mim, de tão grande escapuliu, saiu pelos meus poros. Nessa sala não me resta nada além desse computador ligado 24h e dessa televisão muda, virou meu habitat, minha condição. Já não sei o que seria de mim sem ela, essa mesmo que todos temem, que alguns maldizem, minha querida e só solidão. Pra ser solidão até que ela é bem badaladinha, as vezes me obriga levantar desse sofa que já tem a forma do meu corpo e ir até o espelho e ver o quão deprimente se tornou a minha cara e ela ainda vem me dizer que eu sou assim a cada minuto por ter escolhido essa vida. Só. Ela não entende, eu não estou só, ela está comigo. o cadarço do meu ténis deu nó com o do dela e não importa pra onde eu vá, ela vai estar lá e não vai adiantar ninguém dizer "anda, sai um pouco de casa. Tanto lugar legal" Minha solidão é caseira, quando decido que talvez franzir um pouco a testa com a luz natural seja uma boa idéia ela logo se cala, fica de mal...sai comigo mas sai mais grudada, com medo de se perder entre os carros, com medo que eu encontrar um alguém que me tire o ténis e me faça andar descalça pelos caminhos da vida. Que estupidez. Agora mesmo ela tá aqui do meu lado, mastigando chiclete de menta, eu sinto o cheiro e o balançar de sua cabeça enquanto canta, se eu me distraio ela grita e pergunta se é essa mesma cara amarrotada que eu quero ter daqui uns anos, que o teclado não lê pensamento e não vai escrever sozinho. Isso tá me deixando louca.Já não sei o que fazer com o pouco de unha que ainda me resta com esse esmalte desbotado de semanas atrás. Hoje ela se sentou comigo e vimos um filme e cada palavra de cada personagem ela sussurava ao meu ouvido "você é capaz de fazer melhor", "pensa em uma história, qualquer uma", "Decide logo se é a literatura de um livro ou a técnica de um roteiro que você quer", "Então? Já pensou na história?" NÃO PORRA, EU NÃO PENSEI EM NENHUMA MERDA DE HISTÓRIA! Eu não suporto pressão, mas ela me provoca, me tira do sério. Eu não tenho história, não tenho técnica, não tenho nada, não tenho nem a confiança em mim mesma. Minha vida inteira eu vivi assim achando que tudo que vem de fora é melhor e que tudo que jogam em mim é lixo. Eu tô cheia de merda, ninguém quer ir fundo comigo. Eu nunca vou encontrar alguem capaz de encontrar em mim a pessoa que eu sou. Nem a propria solidão entenderia. Eu não sei viver aquela velha história de fazer valer cada minuto, viver como se fosse morrer amanhã. E se eu morrer amanhã? Que diferença faz? As pessoas nunca serão imortais, ela morrem e os outros choram, sentem falta mas depois de um tempo a vida segue e aquele vazio que existia não existe mais e no máximo fica uma lembrança, boa ou ruim. Os grandes mestres pintores, por exemplo, não são imortais, suas obras ficam, o nome prevalece, mas e o ser? a pessoa? o coração e o toque? isso acaba baixo terra. Minha solidão sim é imortal, porque ela propria não aguentaria a solidão a dois comigo. Ela vive aqui porque danço, grito, escrevo quando ela quer, mas se eu morresse amanhã ela desataria o nó e buscaria outro alguém. É inutil estar aqui escrevendo se nada dura, essas palavras aglomeradas fingem sentimentos porque elas nunca amarão como eu amo a minha propria solidão.